Zeze Gonzaga & Quinteto de Radames Gnattali – Valzinho, Um Doce Veneno (1979) Zeze Gonzaga Tribute

5 05 2013

Link original: Zeze Gonzaga & Quinteto de Radames Gnattali – Valzinho, Um Doce Veneno (1979) Zeze Gonzaga Tribute
Publicado em: Friday, July 25, 2008 by zecalouro

CapaLPFront

I’m sad to announce the passing of a very important Brazilian singer, Zeze Gonzaga, who died today, 24 July 2008, in the city of Rio de Janeiro. This is Loronix tribute to Zeze Gonzaga, made by one of her most passionate fans, Mr. E., the great collaborator that introduced Zeze Gonzaga to our community.

Mr. E. sent us two albums, the third Zeze Gonzaga LP, Cancao do Amor Distante, recorded in 1967 and Valzinho, Um Doce Veneno, the fourth, recorded in 1979, after a hiatus of 23 years. Mr. E. said she was disappointed with the treatment Philips gave to her fourth album, deciding to terminate the career and open his own business, a school child. Mr. E. also sent a great article written by Aramis Millarch, reviewing Zeze Gonzaga fourth album, a tribute to Valzinho, featuring Quinteto de Radames Gnattali.

This is Zeze Gonzaga – Valzinho, Um Doce Veneno (1979), for MIS, a tribute to Valzinho, a very underrated composer and musician, featuring Radames Gnattali Quinteto, including Ze Menezes, Chiquinho do Acordeon, Vidal and the legendary Luciano Perrone. Herminio de Carvalho is in charge of production, delivering a very nice album that everybody should take it for a listen. Tracks include:

CapaLPBack

Personnel

Zeze Gonzaga

Radames Gnattali
(piano, arrangements)

Ze Menezes
(guitar)

Luciano Perrone
(drums)

Vidal and Chiquinho do Acordeon
(bass and accordion)

Aramis Millarch writing:

Em janeiro de 1979, Curitiba passou a ter um jardim de infância a menos, mas a música popular recuperou, em termos profissionais, a cantora que é adjetivada como “a voz mais afinada do Brasil”: Zezé Gonzaga. Doze anos após ter deixado a Rádio Nacional e após trabalhar (entre 1966 e 67) como jinglista, Maria José Gonzaga (mineira de Manhuaçu, 03/09/1926) tinha decidido por uma vida tranqüila na capital paranaense, onde inaugurou uma escola. Não pensava mais em voltar a gravar: desgostosa com os aborrecimentos que teve na Philips com seu último LP – Canção do amor distante, que levou dois anos para ser lançado – nada animava Zezé a pensar em música em termos profissionais.

Desde 1951, quando fez o seu primeiro 78 rpm, gravou mais de cem músicas, mas raras vezes teve a oportunidade de escolher o repertório – quase sempre formado por versões das mais indignas. E estes fatos fizeram com que Zezé, apesar de ser classificada como “a cantora dos maestros” – por sua afinação extraordinária, embora nunca tenha tido uma única aula de canto – tivesse optado por uma voluntária renúncia artística. E teria ficado em Curitiba, se Hermínio Bello de Carvalho não a tivesse convencido a entrar novamente num estúdio, para fazer um LP. Para tanto, houve alguns argumentos irrecusáveis: um repertório formado exclusivamente por um dos mais injustiçados (e esquecidos) compositores brasileiros – Valzinho (Norival Carlos Teixeira, carioca do bairro do Irajá, 25/12/1914). E os arranjos e participação do maestro e pianista Radamés Gnatalli e quinteto.

O resultado é que, gravado em apenas três dias em janeiro de 79, Valzinho, um Doce Veneno acabou sendo lançado às vésperas do Carnaval, quando Zezé ainda estava em Curitiba, tratando de encerrar as atividades de sua escola. Trata-se de um disco não apenas absolutamente histórico, por marcar o retorno de uma das mais belas vozes do Brasil, amparada no extraordinário quinteto de Radamés Gnatalli, mas que praticamente vem revelar canções de um compositor que permanecia no mais absoluto anonimato. Pois, se Emilinha Borba e sua irmã Nena Robledo, há mais de quarenta anos, já divulgavam “Doce veneno”, só recentemente esta música chegou a interessar uma cantora como Maria Creuza, que a escolheu para título de seu último LP pela RCA. Cantores como Orlando Silva, Paulinho da Viola e Macalé também gravaram músicas de Valzinho.

Mesmo assim, o que explica que um compositor de tanta inspiração e harmonias tão avançadas, e podendo ser classificado na pré-história da bossa nova, tenha permanecido anônimo por tantos anos? Suas harmonias, difíceis mas belas, eram curtidas por vocalistas sensíveis, mas sua timidez, espírito boêmio e total despreocupação material fizeram com que Valzinho nunca se preocupasse com o registro de suas músicas.

Mas, agora, esse disco vem provar uma série de verdades: Zezé Gonzaga continua a ter uma belíssima voz; Radamés Gnatalli e quinteto formam uma unidade especialíssima, que infelizmente só mesmo em ocasiões como esta pode se reunir; e Valzinho é o exemplo do talento que morreria esquecido se não houvesse garimpeiros como Hermínio Bello de Carvalho.

Aramis Millarch

Track List

01 – Óculos Escuros (Valzinho / Orestes Barbosa)
02 – Imagens (Valzinho / Orestes Barbosa)
03 – Tudo Foi Surpresa (Valzinho / Peterpan)
04 – Três de Setembro (Valzinho / Renato Batista)
05 – Felicidade (Valzinho / Reinaldo Dias Leme)
06 – Amar e Sofrer (Valzinho)
07 – Doce Veneno (Valzinho / Carlos Lentine / Goulart)
08 – Teu Olhar (Garoto / Valzinho) with As Morenas do Barulho
09 – Quando o Amor Vai Embora (Valzinho / Evaldo Ruy)
10 – Fantasia (Valzinho)
11 – Castigo (Valzinho / Manezinho Araújo)
12 – Tormento (Valzinho)
13 – Tempo de Criança (Valzinho / Luis Bittencourt)
14 – Não Convém (Valzinho / Jorge de Castro) with Valzinho – Viver Sem Ninguém (Valzinho / Marcelo Machado) with Valzinho

PS.: I am very tired, almost sleeping. Cancao do Amor Distante will appear tommorow. Thank you.

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Este disco pode ser buscado no 300 Discos.


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5 05 2013
300discos

Comentários originais:
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redpetre on Friday, 25 July, 2008
Não pensava mais em voltar a gravar: desgostosa com os aborrecimentos que teve na Philips com seu último LP – Canção do amor distante, que levou dois anos para ser lançado – nada animava Zezé a pensar em música em termos profissionais
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jorge mello on Friday, 25 July, 2008
Tive o imenso prazer de conhecer Zezé Gonzaga numa apresentação que fez no Piano Bar da Rua do Ouvidor 43,no centro do Rio de Janeiro. O Piano Bar já não existe mais,porém guardo comigo o guardanapo onde ela escreveu para mim, no intervalo da apresentação, a letra original de Gente Humilde, autoria de Garoto. Conversamos também sobre a época áurea da Rádio Nacional, nos tempos de Garoto, Radamés Gnattali e Valzinho. Estes tres estão presentes neste Lp maravilhoso em Teu Olhar, música de Garoto e letra de Valzinho. Zezé Gonzaga se destacava por sua impecável afinação e por sua sensibilidade. Sobre isso existe um episódio muito engraçado, protagonizado por Radamés Gnattali: O maestro connhecido também por sua rabugice, era vizinho de camarim de Zezé Gonzaga, num teatro onde eles iriam se apresentar. Radamés começa a reclamar do piano do teatro. Em seguida reclama do ar condicionado que não estava funcionando satisfatóriamente, e Zezé Gonzaga ouvia as lamúrias em silêncio…”Me botaram num camarim muito pior que o teu, um cheiro de homem…”, disse Radamés para Zezé que continuava em silêncio. Por fim, o maestro soltou essa pérola: ” E você Zezé, vai ser afinada assim lá na p..que p…!”
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Nation Beat on Friday, 25 July, 2008
Hello Loronix!
I stumbled across your blog when I was looking for Brazilian music related websites. Your writings are fantastic! I know you specialize in older, forgotten music, but I was wondering if you would be interested in checking out a new Brazilian fusion band, Nation Beat.

Here is a link for three free tracks from our brand new album. We hope you enjoy!

http://www.nationbeat.com/freetracks/

-NB

Here is a bit of writing from the press release:

“…Nation Beat specializes in Brazilian (maracatu) and New Orleans second-line funk… the obvious affection for their sources and sheer moxie they bring make Nation Beat’s sound near addictive.” — Time Out Chicago

Which nation, and which beat? What makes this group special is that it offers no simple answers. They are rhythm gatherers, harvesting the fruit of 500 years of cultural crossbreeding, which is why the sounds of the northeast of Brazil and the southern United States blend together so seamlessly; NPR’s All Things Considered music writer Banning Eyre calls them “the most original and alluring fusion group I have heard in years.”

At the heart of Nation Beat’s new album, Legends of the Preacher, lies a totally original 21st century fusion between thunderous Brazilian maracatu drumming and New Orleans second line rhythms, Appalachian-inspired bluegrass music, funk, rock, and country-blues. Conjuring the spirit of powerful and liberated carnival queens, rising Brazilian star Liliana Araujo fronts the ensemble with her soaring powerhouse vocals. A recent finalist on Brazil’s “American Idol” spin-off program FAMA, Araujo evokes the righteous soul singers of America’s gold age of soul.

Bandleader Scott Kettner describes maracatu as “a really high-energy, percussive, Afro-Brazilian dance rhythm that gets all up in your bones and makes you shake. Imagine the sound of thunder when you see a big storm coming across the ocean — that’s what it sounds like when a maracatu group is parading toward you in Brazil.” Nation Beat brings the audacious energy of this musical storm to both their recorded work and especially their electric live performances. As a result, their explosive live show has attracted music fans from a wide demographic: bluegrass and country music fans, Brazilian music lovers, outdoor festival-goers, and pretty much anyone who loves to dance.

Please give us a listen and let us know what you think!

Tu-maraca! NATION BEAT
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Anonymous on Friday, 25 July, 2008
ainda bem que existem pessoas como você que colocam estas preciosidades na internet, se depender do mis e de gente como o secretário de cultura do rio arnaldo niskier que vetou a comercialização do disco da elizeth com o zimbo, jacob e o época de ouro tudo vai mofar até se perder.
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Alice Salles on Friday, 25 July, 2008
Ah mas que coisa mais triste…
e linda ao mesmo tempo!
Que mulher divina mas que triste que nao a temos mais…

Mas sua musica a imortalizou.

Um abraco
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LFGallego on Wednesday, 30 July, 2008
No texto é dito que a música “Doce Veneno” só interessou recentemente a alguma cantora. Antes do disco da Zezé todo com obras de Valzinho, a Cynara do Quarteto em Cy (na época desfeito)gravou um LP sozinha que também foi pessimamente distribuído e muito mal divulgado onde ela incluiu preciosidades antigas e raras como “Doce Veneno” e “Nosso Romance” de J. Cascata e Leonel Azevedo ao lado de músicas novas da época como “Uma e Outras” do Chico Buarque, “Pois é, prá que?” do Sidney Miller, “Deus vos salve esta casa santa” de Caetano e Torquato e “Casaco Marrom” de Danilo Caymmi, Gutemebreg Guarabira e Renato Correa que ela defendera em um festival – além de músicas que ficaram desconhecidas como “Aquele Abraço” de Nelson Angelo (nada aver com o sucesso do Gil) e outras dela mesma, do Ruy e de outos do MPB-4. Este LP de 1969 é uma pérola desconhecida: “pronta prá Consumo”, selo Elenco ME 56.
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zecalouro on Wednesday, 30 July, 2008
LFGallego,

Obrigado pelas considerações. O disco da Cynara está no acervo do Loronix através desse link.

Grande abraço, zeca
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Lucas on Wednesday, 03 September, 2008
O disco Entre Cordas de Zezé pode ser encontrado em http://www.umquetenha.blogspot.com
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Roberto Murilo on Thursday, 25 September, 2008
Estava procurando essa preciosidade há muito tempo. Manter esta gravação longe do grande público é uma crime lesa-arte,indesculpável quando o Governador do Estado é filho de um dos maiores críticos e biógrafos da música popular do Brasil. Que reeditem todos os discos gravados pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

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